segunda-feira, 9 de maio de 2011

A barbárie e a estupidez jornalística

Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato

04/05/2011


Elaine Tavares




Imaginem vocês se um pequeno operativo do exército cubano entrasse em Miami e atacasse a casa onde vive Posada Carriles, o terrorista responsável pela explosão de várias bombas em hotéis cubanos e pela derrubada de um avião que matou 73 pessoas. Imagine que esse operativo assassinasse o tal terrorista em terras estadunidenses. Que lhes parece que aconteceria? O mundo inteiro se levantaria em uníssono condenado o ataque. Haveria especialistas em direito internacional alegando que um país não pode adentrar com um grupo de militares em outro país livre, que isso se configura em quebra da soberania, ou ato de guerra. Possivelmente Cuba seria retaliada e, com certeza, invadida por tropas estadunidenses por ter cometido o crime de invasão. Seria um escândalo internacional e os jornalistas de todo mundo anunciariam a notícia como um crime bárbaro e sem justificativa.

Mas, como foi os Estados Unidos que entrou no Paquistão, isso parece coisa muito natural. Nenhuma palavra sobre quebra de soberania, sobre invasão ilegal, sobre o absurdo de um assassinato. Pelo que se sabe, até mesmo os mais sanguinários carrascos nazistas foram julgados. Osama não. Foi assassinato e o Prêmio Nobel da Paz inaugurou mais uma novidade: o crime de vingança agora é legal. Pressuposto perigoso demais nestes tempos em que os EUA são a polícia do mundo.

Agora imagine mais uma coisa insólita. O governo elege um inimigo número um, caça esse inimigo por uma década, faz dele a própria imagem do demônio, evitando dizer, é claro, que foi um demônio criado pelo próprio serviço secreto estadunidense. Aí, um belo dia, seus soldados aguerridos encontram esse homem, com toda a sede de vingança que lhes foi incutida. E esses soldados matam o “demônio”. Então, por respeito, eles realizam todos os preceitos da religião do “demônio”. Lavam o corpo, enrolam em um lençol branco e o jogam no mar. Ora, se era Osama o próprio mal encarnado, porque raios os soldados iriam respeitar sua religião? Que história mais sem pé e sem cabeça.

E, tendo encontrado o inimigo mais procurado, nenhuma foto do corpo? Nenhum vestígio? Ah, sim, um exame de DNA, feito pelos agentes da CIA. Bueno, acredite quem quiser.

O mais vexatório nisso tudo é ouvir os jornalistas de todo mundo repetindo a notícia sem que qualquer prova concreta seja apresentada. Acreditar na declaração de agentes da CIA é coisa muito pueril. Seria ingênuo se não se soubesse da profunda submissão e colonialismo do jornalismo mundial.

Olha, eu sei lá, mas o que vi na televisão chegou às raias do absurdo. Sendo verdade ou mentira o que aconteceu, ambas as coisas são absolutamente impensáveis num mundo em que imperam o tal do “estado de direito”. Não há mais limites para o império. Definitivamente são tempos sombrios. E pelo que se vê, voltamos ao tempo do farwest, só que agora, o céu é o limite. Pelo menos para o império. Darth Vader é fichinha!


Elaine Tavares é jornalista


Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/6209

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"Assassinato de Bin Laden foi detestável", diz Fidel Castro




HAVANA - O líder cubano Fidel Castro afirmou em um artigo publicado nesta quinta-feira que "qualquer que fossem os atos atribuídos a Bin Laden, o assassinato de um ser humano desarmado e rodeado por familiares constitui um fato detestável".
"Aparentemente foi isso o que fez o governo da nação mais poderosa, que nunca existiu", completou, em referência à operação americana no Paquistão que matou o líder da Al-Qaeda.

Fonte: http://www.jb.com.br/internacional/noticias/2011/05/05/assassinato-de-bin-laden-foi-detestavel-diz-fidel-castro/

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Morte de Osama Bin Laden é irrelevante, diz Robert Fisk

O veterano jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden em três ocasiões, disse que a notícia da morte de Bin Laden é muito menos importante que os levantamentos populares que acontecem no mundo árabe.

Por Redação 02.05.2011 



O veterano jornalista Robert Fisk, que entrevistou Osama Bin Laden em três ocasiões, disse que a notícia da morte de Bin Laden é muito menos importante que os levantamentos populares que acontecem no mundo árabe. “Já venho dizendo há algum tempo que acho o fato de ele estar ou não estar morto bem irrelevante”, diz o correspondente do jornal inglês The Independent no Oriente Médio. “Ele fundou a Al Qaeda e essa foi, a seus olhos, sua realização”.

O premiado jornalista diz que Osama Bin Laden não estava em condições de realmente dirigir operações da Al Qaeda. “Ele não estava sentado numa caverna com teclas de computador e dizendo 'aperte o botão B, é a operação 52'”, diz Robert Fisk.

Fisk, que ultimamente esteve noticiando os acontecimentos na Síria, diz que o mundo mudou de várias formas desde o 11 de setembro. “Nos últimos meses vimos um despertar árabe no qual milhões de árabes muçulmanos derrubaram suas próprias lideranças”, ele diz.

“Bin Laden sempre quis acabar com Mubarak e Ben Ali e Kaddafi e os demais, argumentando que eles eram infiéis que serviam à América e, na realidade, foram milhões de pessoas comuns que, pacificamente — bem, mais ou menos, e com certeza no caso da Tunísia e do Egito — , se livraram deles. Bin Laden não, ele fracassou nessa tarefa”.

“Você tem que se lembrar que esses regimes sempre disseram aos americanos: 'continuem nos apoiando, porque senão a Al Qaeda toma o poder' — e na verdade a Al Qaeda não tomou poder nenhum”.

É interessante que, depois da derrubada de Mubarak, a primeira coisa que se ouviu da Al Qaeda, uma semana depois, foi um chamado para a derrubada de Mubarak, uma semana depois que ele havia caído. Foi patético”.

Fisk diz que as comemorações da morte de Bin Laden nos Estados Unidos são insignificantes. “Acho que Osama Bin Laden perdeu a relevância há muito tempo, na verdade. Se eles tivessem matado Bin Laden um ou dois anos depois do 11 de setembro, uma parte dessa bateção no peito poderia ter tido alguma relevância. Esses punhos no ar nos Estados Unidos, celebrando vitória, são boas imagens, mas acredito que elas não significam nada”, diz ele.

“O fato real que temos no mundo hoje, o que é importante, é um levante de massas e um despertar de milhões de árabes muçulmanos para derrubar ditadores”.

Robert Fisk diz que esses levantes são “muito, muito mais importantes que um homem de meia-idade sendo morto no Paquistão”.

Rebeliões: destruindo os estereótipos das mulheres árabes

Entre esta nova geração de proeminentes mulheres árabes, a maioria escolhe usar o hijab. Urbanizadas e educadas, elas não são menos confiantes e carismáticas que suas irmãs “desveladas”.

02/05/2011

Por Soumaya Ghannoushi em  26.04.2011 
 

As revoluções árabes não somente estão abalando as estruturas da tirania até suas mais profundas fundações – mas estão destruindo muitos dos mitos a respeito da região árabe que têm se acumulado por décadas. No topo desta lista de mitos dominantes estão aqueles das mulheres árabes como enjauladas, silenciadas, e invisíveis. Estes não são os tipos de mulheres que apareceram na Tunísia, Egito ou mesmo no ultraconservador Iêmen nas últimas semanas e meses.
Não somente as mulheres participaram ativamente nos movimentos de protestos enfurecidos nestes países, como desempenharam também papéis fundamentais. Elas organizaram protestos e piquetes, mobilizaram muitos cidadãos, e eloquentemente expressaram suas exigências e aspirações por mudanças democráticas.
Como Israa Abdel Fatteh. Nawara Nejm, e Tawakul Karman, a maioria das mulheres está na faixa dos 20 ou 30 anos. Há ainda casos inspiradores de ativistas mais velhas: Saida Saadouni, uma mulher com seus 70 anos na Tunísia, enrolou a bandeira nacional em seus ombros e participou dos protestos de Qasaba que conseguiram derrubar o governo provisório de M. Ghannouchi. Tendo protestado por duas semanas, ela disseminou um espírito revolucionário único entre os milhares que se reuniram a sua volta para escutar seus discursos incendiários. “Eu resisti à ocupação francesa. Eu resisti às ditaduras de Bourguiba e Ben Ali. Não descansarei enquanto nossa revolução não chegar ao fim, por vocês, meus filhos e filhas, não por mim,” disse Saadouni.
Seja nos campos de batalha virtuais da internet ou nos protestos físicos nas ruas, as mulheres têm se provado como reais incubadoras de lideranças. Isto é parte de um fenômeno mais amplo característico destas revoluções. A política aberta das ruas fez nascer e amadurecer futuras líderes. Elas crescem organicamente nos campos, muito mais do que sendo impostos de cima por organizações políticas, grupos religiosos ou imposições de gênero.
Outro estereótipo sendo desconstruído neste movimento é a associação da burca com a passividade, submissão e segregação. Entre esta nova geração de proeminentes mulheres árabes, a maioria escolhe usar o hijab. Urbanizadas e educadas, elas não são menos confiantes e carismáticas que suas irmãs “desveladas”. Elas são uma expressão da complexa formação da cultura muçulmana, com processos de modernização e globalização sendo a marca fundamental da sociedade árabe contemporânea.
Este novo modelo de líderes mulheres criadas em suas terras natais, nascidas de levantes revolucionários, representa um desafio a duas narrativas, as quais, embora diferentes nos detalhes, são similares em referência ao mito da singularidade cultural árabe; ambos destituem a figura da mulher árabe como criatura inerte e sem força de vontade.
A primeira narrativa – que é dominante nos círculos muçulmanos conservadores – sentencia as mulheres a uma vida de reprodução e criação das crianças; mulheres são feitas pra viver nos estreitos confins de suas casas com a permissão de seus maridos e parentes homens. Sua presença deve se limitar em torno de noções de pureza sexual e honra familiar; interpretações reducionistas da religião são procuradas para justificar isto.
A outra visão é abraçada por euro-americanos neoliberais, que veem as mulheres árabes e muçulmanas através do estreito prisma do modelo Talibã: objetos miseráveis de pena que precisam de uma intervenção benevolente de intelectuais, políticos ou mesmo militares. Mulheres árabes aguardam a libertação da jaula escura do velamento para um jardim prometido de iluminação.
As mulheres árabes estão se rebelando contra ambos modelos: elas estão tomando para si as rédeas dos próprios destinos libertando a si mesmas ao passo em que libertam suas sociedades das ditaduras. O modelo de emancipação que estão conformando com suas próprias mãos é definido por suas próprias necessidades, escolhas e prioridades – e de ninguém mais.
Embora possa haver resistência a este processo de emancipação, a Praça Tahrir e Qasaba agora são parte da psiquê e da cultura das mulheres árabes. De fato, elas finalmente têm voz para gritar seus há muito silenciados anseios por libertação do autoritarismo – tanto político quanto patriarcal.

Fonte: http://www.revistaforum.com.br/conteudo/detalhe_noticia.php?codNoticia=9255

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Índios versão 20 ponto 11

27/04/2011

Barbara Maisonnave Arisi - O Estado de S.Paulo
Acabo de retornar de estadia de campo na Amazônia e fico feliz ao constatar que os índios estão cada vez mais dominando novas tecnologias e com uma mentalidade 20.11, preparando-se para participar das grandes questões globais da segunda década do século 21. Exemplos: meu aparelho celular não funcionava, pois na cidade de Atalaia do Norte só há uma operadora. Quem me salvou ao me emprestar seu aparelho novinho foi um garoto matis ? considerado pela "regra de parentesco incorporador de antropólogos" meu irmão indígena. Fui surpreendida pelo lindo ringtone com um canto de pássaro amazônico que ouvia ao despertar quando morei na aldeia. "Uau, Makwanantê, que lindo. Como gravou o canto desse pássaro?" "Baixei via Bluetooth de graça no cybercafé da cidade." Ok, eu também esqueço às vezes que trabalho com índios amazônicos versão 20.11, os magníficos matis, um povo de língua pano que vive na Terra Indígena Vale do Javari, segunda maior do País, com 8,5 milhões de hectares.
No dia seguinte pedi a outro jovem matis um carregador de bateria para minha câmera digital e ele trouxe um carregador universal made in China comprado na Colômbia (fronteira próxima). Serve para qualquer tipo de bateria e dribla a imposição de empresas como Sony ou Motorola com modelos que nos obrigam a comprar mil traquitanas. Os índios 20.11 sabem escolher o que lhes dá autonomia mesmo entre as quinquilharias chinesas e surpreendem aqueles que, no Brasil "metropolitano" (para usar um termo cunhado por Manuela Carneiro da Cunha), acham que os indígenas amazônicos vivem na Idade da Pedra ou num paraíso (ou inferno) pré-industrial. Os ameríndios com quem tenho o prazer de conviver podem estar esquecidos nas políticas governamentais, mas se movimentam no universo de questões globais como mercado de crédito de carbono e uso de tecnologia para melhorar a vida em suas comunidades. Alguns estão na universidade e serão em breve professores universitários. Afinal, índios não ficam em cristaleira de museu ou apenas decoram pôster festivo da brasilidade para fazer jus ao logo federal "Brasil, país de todos". Os índios seguem sendo bem índios mesmo portando seus celulares, editando filmes, torcendo pelo Flamengo. E continuam necessitando demarcar terras, especialmente em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Para isso mesmo, precisam e gostam de tecnologia, para estarem plugados no mundo, como você e eu.
Em Manaus, conheci a vice-coordenadora da Coiab (Confederação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira), Sônia Guajajara. Ela ficou famosa na COP-16 (última conferência da ONU sobre mudanças climáticas), em Cancún, México, ao entregar o troféu "motosserra de ouro" à senadora Kátia Abreu ? prêmio dado aos que aumentam o desmatamento na Amazônia. Como Sônia, há outros índios que aprenderam o glossário da "economia mundial ambiental", sabem o que é Redd (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação). Ou seja, estão afinados com a economia ambiental e combatem ideias australopitecas dos defensores da reforma do Código Florestal.
Graças aos índios brasileiros é que a floresta ainda está em pé, conforme demonstram imagens do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Vizinhos dos matis, os índios maiorunas vivem em ambos os lados da fronteira do Peru e do Brasil e, nos últimos anos, vêm migrando para nosso País por causa da atuação de empresas multinacionais que concessionaram áreas em seus territórios com o aval do governo do Peru. Os mesmos maiorunas, em 2003 e 2004, chamaram a atenção das autoridades para o contrabando de madeira realizado por peruanos. Os Estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia, sempre citados como destruidores do meio ambiente, só apresentam indicadores positivos devido às terras indígenas. Os índios também denunciam as rotas do narcotráfico em seus territórios.
Além desses serviços ao País, os índios também investem em economia criativa. Querem que sua juventude aprenda a utilizar telefones celulares, laptops e câmeras de vídeo para que eles próprios tenham domínio sobre a produção (e também o consumo, em alguns casos) da indústria da criatividade, que os jovens indígenas façam seus próprios filmes, vendam CDs de suas músicas, tenham eles próprios controle sobre seus bens imateriais que por tantos anos foram produzidos e vendidos por estrangeiros ou outros brasileiros. Os índios têm todo o direito de se tornarem big players na indústria do entretenimento. Como demonstram sucessos como o filme Cheiro de Pequi, da Associação Indígena Kuikuro e do Vídeo nas Aldeias, que ganhou o prêmio de melhor curta-metragem em Montreal, no Canadá. Chegará logo o dia em que teremos cineastas indígenas concorrendo em Cannes.
É bom lembrar, porém, que nem tudo na realidade indígena são cantos de pássaros e tecnologia. No Javari, cerca de 80% da população indígena está contaminada por hepatites virais que provocaram a morte de 300 pessoas nos últimos dez anos. Há alguma esperança com a nova Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena) de que haja atendimento permanente para as 55 comunidades. A Funai, em processo de reestruturação, havia decidido desmontar a administração regional na cidade de Atalaia do Norte, deixando os cerca de 3.800 índios que moram na Terra Indígena sem uma base administrativa próxima. Parece que quem vive em Brasília olha o mapa do Javari apenas pendurado na parede e, por isso, pensa que os rios do Javari correm do norte para o sul! Porém os rios do Javari correm todos na direção norte e oeste para formar o Solimões e, a partir de Manaus, o Amazonas. Certamente, os índios terão muitos direitos a exigir nos protestos do Abril Indígena, programados para ocorrer em maio em Brasília.
As grandes questões globais estão na Amazônia e os índios, melhor do que a maioria dos brasileiros, já estão se preparando para lidar com esse mundo 20.11 ? de preocupações com energias limpas (pós-Fukushima), onde os países ricos pagam aos "emergentes" para que mantenham suas florestas em pé, onde as tecnologias made in China tomam o lugar das que fazem carregadores não universais, onde quem tem força de sobrevivência é quem vai vencer e deixar para trás os acomodados. Os índios brasileiros já mostraram que vieram para sobreviver. Desde 1500 têm conseguido se manter vivos, o que em si, já é um feito e tanto. Agora, parece que vão nos ensinar o que fazer para sermos um país rico em biodiversidade, em captura de carbono e em economia criativa. Tenho tentado acompanhá-los e aprender com eles.
BARBARA MAISONNAVE ARISI É DOUTORANDA DO PROGRAMA DE ANTROPOLOGIA SOCIAL UFSC. ESTAGIOU NO INSTITUTE OF SOCIAL AND CULTURAL ANTHROPOLOGY DA UNIVERSIDADE DE OXFORD
Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,indios-versao-20-ponto-11,710087,0.htm

terça-feira, 26 de abril de 2011

Um Beijo a Bolsonaro

26/04/2011


Uma iniciativa dos alunos de Artes Cênicas da UDESC em conjunto com os da UFSC sob a orientação do professor de Performance Rodrigo Garcez.

A performance "Um Beijo a Bolsonaro", pretende ser um tipo de performance em massa, conhecido como Flash Mob. A idéia é que gays, lésbicas, casais de negros com brancos e pessoas que apóiem a causa e sejam contra o preconceito se beijem, a uma determinada hora, em frente a Catedral de Florianópolis. Um ato pacífico. Uma performance artística, delicada, mas que pretende ser uma manifestação política.

A performance acontecerá no dia 13 de Maio, dia da Abolição da Escravatura, as 18hs em frente a Catedral de Florianópolis, na Praça XV. Pela característica do Flash Mobil, após o beijo (será dado o tempo de 2 minutos) as pessoas deverão afastar-se rapidamente e seguirem como se nada tivesse acontecido. 

Para quem não ouviu falar do Deputado Jai Bolsonaro nós explicamos: ele vem criando polêmica no Brasil defendendo a homofobia, o racismo e a violência. Deu depoimentos como: "O filho começa a ficar assim meio gayzinho, leva um coro, ele muda o comportamento dele" e quando perguntado por Preta Gil, o que faria se seu filho fosse casado com uma negra: "Ô Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja né? Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambiente como, lamentavelmente, é o teu."


No dia seguinte, ele afirmou que a resposta a Preta Gil havia sido um "mal entendido". Justificou-se alegando que pensou que a pergunta fosse sobre o relacionamento de seu filho com um homossexual. A cantora disse que entrará com uma representação no Ministério Público contra Bolsonaro por homofobia e preconceito racial.

Sobre os povos indígenas: [são] "fedorentos e não educados". A crítica, principalmente voltada à política de demarcação de terras indígenas, culminou com Bolsonaro afirmando que pessoas como os índios, supostamente não "educados" e "não falantes de nossa língua", não deveriam ter direito a uma tão grande porção de terra.
 
Também contra as cotas raciais e a Lei Maria da Penha, Bolsonaro defende que os anos da ditadura foram os melhores anos para o Brasil, afirmando sentir saudades de Médici, Geisel Figueredo.
 
Petições pela cassação de Bolsonaro e de repúdio às falas do parlamentar foram realizadas na internet. Uma petição da Avaaz contava com cerca 81 mil assinaturas em 9 de abril de 2011.
 
No texto divulgado pela Avaaz: “somente no ano passado 250 pessoas foram assassinadas por serem trans ou homossexuais. Mesmo assim não há lei que proteja pessoas GLBT da discriminação. Ainda se pode demitir alguém somente pela pessoa ser gay e a violência homofóbica não é punida como crime de preconceito.”
 
Manisfestações em São Paulo de grupos neonazistas apoiando Bolsonaro acabaram com 6 presos por agredirem homosexuais.
 
 
Convidamos a todos que queiram participar na organização a entrar em contato pelo email
 
Fonte: http://marcosdadazen.blogspot.com/
 






   

Jornalista acreana envia carta aberta a presidente Dilma Rousseff


No momento, o povo do Acre está formando movimento popular histórico pela redução dos impostos e pela melhor qualidade na energia.

26/04/2011
 
A jornalista, radialista e publicitária Eliane Sinhasique enviou carta aberta à presidente da República, Dilma Rousseff (PT), denunciando vários abusos cometidos contra a população acreana no que diz respeito ao preço de alimentos e dos combustíveis e às taxas de energia elétrica.

Eliane menciona a situação econômica lamentável em que se encontra maior parte da população e opina sobre vários assuntos em destaque no cenário acreano e nacional.



Carta aberta à Presidente Dilma

Rio Branco, Acre 20 de abril de2011
         Querida Presidente,

          Te chamo de querida porque te quero muito bem e me orgulho de ter uma mulher como presidente do meu País (não gosto de chamá-la de “presidenta” porque acho a sonoridade sofrível).

          Mas não é para falar da sonoridade de uma palavra que estou te escrevendo. Escrevo, aqui do meu Acre, para lhe contar algumas coisas e dar notícias desse pedacinho do Brasil (ou pedação porque em tamanho territorial somos maior do que o estado de Alagoas, o Ceará, a Paraíba...) e dizer o que nós, aqui no extremo norte, sofremos.

          Presidente, hoje no nosso estado a Gasolina está custando de R$ 3,13 à R$ 3,30 o litro! No nosso entendimento esse preço é um abuso com os consumidores. Nós sofremos dois aumentos de combustível nas duas últimas semanas!

          Nosso estado é pobre e ainda está tentando se desenvolver. Com esse preço no combustível tudo aqui também fica mais caro.

          Quando escuto falar nos dados oficiais da inflação do Brasil me dá vontade rir. Aqui no Acre a inflação é galopante, tudo sobe da noite para o dia.

          O pão que custava R$ 3,50 o quilo há 5 anos, hoje custa R$ 6,00 o que equivale a um aumento de mais de 70%! O pãozinho aumentou 14% ao ano. Isso é só um exemplo. Os comerciantes alegam que o custo do transporte do trigo é muito elevado e por isso o preço é esse mesmo e pronto!

          Minha presidente, não conseguimos entender como o Brasil que é auto-suficiente em petróleo penalize os próprios brasileiros com um combustível tão caro. Aqui no país vizinho, na Bolívia, podemos comprar o nosso combustível da Petrobrás por R$ 1,15 litro! Se exportamos é porque está sobrando combustível.

          Tem alguma coisa errada!

A Petrobrás exporta petróleo por uma ninharia e nós, donos do petróleo pagamos muito caro por ele. Como pode uma coisa dessas???

           Vejo ministros falando em controle da inflação o tempo todo mas, na prática,  essa inflação está corroendo o salário do trabalhador como o ácido corrói o ferro.

           O transporte público coletivo também é outro ponto que massacra os trabalhadores e onera o custo operacional das empresas com o vale transporte. Hoje um acreano paga R$ 2,40 na passagem de ônibus e o maior percurso que temos na nossa capital, Rio Branco, é de 19KM!

          Os acreanos sofrem minha presidente!

          A energia elétrica que antes era gerada com óleo diesel continua pela hora da morte. Mesmo com um linhão interligado ao sistema nacional, que gera energia por hidrelétrica, o que teoricamente baratearia seu custo, estamos pagando ainda mais caro!O ICMS da nossa conta de luz é calculado “por dentro” e os acreanos que consomem mais de 140 Kwatt pagam mais de 33,33% só de ICMS, pago para o estado, além do Pis e da COFINS ao Governo Federal. Presidente, nossa conta de luz tem mais de 42% só de impostos e o nosso kwatt chega a 0,529920 como se fôssemos um estado rico.

          Eu te pergunto minha presidente, como um estado como o Acre, tão distante dos centros produtivos e com uma energia tão cara poderá se desenvolver?

          Temos pouco mais de 730 mil habitantes e desses, poucos ganham mais de R$ 22 mil por ano. A previsão da Receita Federal no Acre é de recolher em torno de 60 mil declarações do Imposto de Renda. Como dá para ver são poucos os “afortunados” que existem por aqui.

          Além, Presidente, de pagarmos caro pela energia, essa energia acredito ser a pior do Brasil. Sofremos muitos apagões e interrupções constantes de energia além dos picos de luz que queimam máquinas e equipamentos. Os prejuízos são enormes.

          É impossível se pensar em industrialização, de qualquer coisa aqui no Acre, com essa energia de péssima qualidade. Até a criação de frangos para abate sofre com as constantes quedas de energia.

          No momento, o povo do Acre está fazendo um movimento popular histórico pela redução dos impostos e pela melhor qualidade na energia. O Movimento Popular Menos Impostos, Mais energia vai pedir ao Governo do Estado que reduza o ICMS numa tentativa de baratear os custos energéticos do povo acreano. Um trabalhador, uma trabalhadora que ganha um salário mínimo está gastando cerca de 30% do seu salário com a conta de luz. É muito minha presidente!

          Sei que a senhora tem um país inteiro para cuidar, sei que a missão é difícil, sei que existem coisas na administração de um país incompreensíveis para os reles mortais como eu, mas peço em nome do povo do Acre e do Brasil que a senhora sente com o pessoal da Petrobrás e reavalie os custos do combustível para o povo brasileiro. Quem sabe, na minha visão simplista da situação, com o barateamento do combustível para o brasileiro será possível conter a inflação?

          Sabemos que a inflação é a grande vilã no desenvolvimento de um país e por isso mesmo todos os esforços devem ser feitos para evitá-la.

          Um forte abraço!

          Eliane Sinhasique

          Jornalista, radialista, publicitária e cidadã acreana.

Fonte: http://www.contilnet.com.br/Conteudo.aspx?ConteudoID=11680